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O erro nº1 de quem começa a compor trilha sonora (e como corrigir)

  • Foto do escritor: Filipe Leitão
    Filipe Leitão
  • 19 de jan.
  • 3 min de leitura

Se você está começando na trilha sonora — ou mesmo se já compõe há algum tempo — é muito provável que já tenha passado por isso:


Você abre a DAW.

Escolhe um piano, um pad ou um string.

Começa a procurar um acorde bonito.


E trava.


Isso acontece porque o erro nº1 de quem começa a compor trilha sonora não tem a ver com falta de teoria, nem com falta de plugins, nem com falta de talento.


O erro é pensar música antes de pensar emoção.


Na trilha sonora, a música não existe sozinha.

Ela existe para servir a narrativa.


Composer

A pergunta errada (e a pergunta certa)


A maioria dos músicos começa assim:


“Que acorde eu uso agora?”

“Essa progressão está boa?”

“Será que esse tema é interessante?”


Mas na trilha sonora, a pergunta correta é outra:


“O que o espectador precisa SENTIR nesse momento?”


Medo?

Expectativa?

Tristeza contida?

Esperança?

Tensão crescente?


Quando você muda essa pergunta, tudo muda:

  • harmonia

  • ritmo

  • textura

  • instrumentação

  • dinâmica



Exercício prático (faça antes de abrir a DAW)


Pegue uma cena curta de qualquer filme ou série.

Pode ser até sem diálogo.


Antes de escrever UMA nota, responda:

  • A cena pede tensão ou alívio?

  • Existe movimento ou é algo estático?

  • A emoção é interna (psicológica) ou externa (ação)?

  • A música deve ser percebida ou quase invisível?


Esse exercício simples resolve 80% dos bloqueios criativos em trilha sonora.



Exemplo 1: Tensão contínua (ostinatos e repetição)


Um exemplo clássico de tensão construída com repetição, poucas notas e crescimento gradual:


Dunkirk – Hans Zimmer



O que está acontecendo aqui?

  • Notas repetidas (ostinato)

  • Pouca variação harmônica

  • Crescimento de densidade, não de melodia

  • Sensação constante de urgência


A música não distrai

Ela empurra a cena emocionalmente



Exemplo 2: Emoção contida e introspectiva


Agora um exemplo oposto: emoção interna, quase silenciosa.


Arrival – “On the Nature of Daylight” (Max Richter)



Observe:

  • Frases longas

  • Harmonia simples

  • Poucos elementos

  • Muito espaço


Aqui, a música não explica a cena.

Ela amplifica o que já está ali.



Exemplo 3: Ação e movimento


Quando a cena pede energia e deslocamento:


Mad Max: Fury Road – “Brothers in Arms”



Características claras:

  • Ritmo forte

  • Camadas rítmicas

  • Pulsação constante

  • Pouco lirismo, muito impacto


Não é sobre melodia bonita

É sobre ritmo + intensidade



O ponto-chave que muda tudo


Trilha sonora não é música absoluta. Ela é música funcional.


Isso significa que:

  • Um acorde simples pode ser mais eficaz que uma harmonia complexa

  • Uma nota repetida pode ser mais poderosa que um tema elaborado

  • Silêncio pode ser mais musical que som


Quando você entende isso:

  • Plugins viram ferramentas (não muletas)

  • Orquestração vira meio, não fim

  • A música começa a funcionar na imagem


“Mas eu sei música…”


Ótimo. Isso ajuda.


Mas saber música não é o mesmo que saber trilha sonora.


Trilha sonora exige:

  • pensamento dramático

  • clareza emocional

  • intenção

  • escolha consciente


É por isso que tantos músicos bons se sentem perdidos quando tentam compor para imagem.



Como aprender isso de forma estruturada


Esse tipo de raciocínio não vem de fórmulas prontas.

Vem de método, análise e prática direcionada.


É exatamente isso que eu ensino dentro do Trilha Sonora Academy:

  • como pensar trilha antes de pensar notas

  • como transformar emoção em som

  • como escrever direto na DAW, sem depender de partitura

  • como sair do “tentando no escuro” para um processo claro


🎓 O conteúdo é o mesmo tipo de abordagem que aplico em projetos reais e em sala de aula na universidade — organizado para você aplicar passo a passo.


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